AS RAZÕES DA VONTADE DE PODER O PROJETO ONTOFENOMENOLÓGICO EM NIETZSCHE E MERLEAU-PONTY

Thiago Gomes da Silva Nunes

Resumo


É no sentido de continuidade da obra de Arthur Schopenhauer que Friedrich Nietzsche adotou a
concepção de corpo como um regulativo provisório de investigação dos limites e possibilidades de
qualquer empreendimento teórico. Tudo nos leva a considerar que Nietzsche trilhou o caminho
daquilo que seria conhecido como fenomenologia do corpo, na medida em que considerou que
não há qualquer possibilidade de conhecimento imparcial, posto que a vida atravessa, determina
e se revela em qualquer expressão do intelecto humano. A partir da investigação dos fenômenos
vivenciados no corpo faz-se possível lançar um vislumbre sobre a ideia de mundo, sendo ainda
viável descrever tal experiência sem que despenquemos no objetivismo científico ou mesmo no
subjetivismo absoluto. O corpo é o fenômeno chave que nos possibilita falar com propriedade sobra
a existência, um anseio que parece ter se materializado na obra de Maurice Merleau-Ponty (1908
– 1961). Dentro deste tema, fica patente a proximidade entre os dois pensadores, mas enquanto
o último não ultrapassa os limites descritivos de um diagrama idealista, o primeiro se desdobrará
sobre essa descrição defendendo a “fixação do conceito ‘vida’ como vontade de poder” (NIETZSCHE,
2015, p. 267). O projeto de Merleau-Ponty nos possibilita entender como Nietzsche partiu de uma
autoanálise corporal/existencial ao arquitetar sua concepção filosófica central: a vontade de poder.
Palavras-chave: Ontofenomenologia; Corpo; Mundo; Vida; Epistemologia.

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Referências


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SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade de representação. Trad. de Jair Barboza. São Paulo

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