O QUE É REDENÇÃO PARA ZARATUSTRA? – UMA CRÍTICA À FOMENTAÇÃO INTELECTIVA DE FORMAS IDEAIS

Luismar Cardoso de Queiroz

Resumo


O discurso “Da Redenção”, proferido por Zaratustra, articula harmonicamente os conceitos fundamentais da filosofia preparatória de Nietzsche, fornecendo um caminho de pensamento que nos leva a uma crítica dos processos vitais que condicionam a fomentação intelectiva de formas essenciais e abstratas, as quais se aglutinam no modo de operação da racionalidade metafísica. Veremos que o conhecimento que se nutre de um profundo ódio gnóstico contra a realidade descaba na tirânica desvitalização imposta pela formulação de um “mundo verdadeiro e permanente”. A redenção da vontade implica na sua reconciliação com a temporalidade da existência, o que condiciona a instalação do pensamento no limiar do instante evanescente da vida. No âmbito desta virada redentora da vontade, veremos que os olhos do espírito se despojam do lodo da razão especulativa, assim como do sentimento de décadence, e se abrem para uma corajosa e honesta contemplação da pluralidade indissolúvel dos processos vitais que se encontram na base dos jogos criativos da história do espírito. Ora, para onde nos levará a redenção da vontade, senão no sentido da realização de uma vontade criativa que se coloca para além do castracionismo das formulações ideais? O que buscaremos em nosso artigo é precisamente uma reflexão psico-ontológica que abra espaço para o pensamento da afirmação e para a livre fruição da vida.
Palavras-chave: Vontade; Redenção; Vida.


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Referências


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