CURRÍCULO DE PEDAGOGIA COMO CAMPO DE PARTICIPAÇÃO

Francisca Pereira Salvino

Resumo


Assumindo o currículo como campo de política cultural, argumenta-se neste artigo que o currículo deve se constituir em campo de participação democrática dos sujeitos envolvidos no processo de planejamento/projeto curricular, corroborando práticas discursivas que intensifiquem a produção de significados interculturais. Nessa perspectiva analisa as percepções de docentes e discentes sobre suas intervenções (ou a falta delas) no processo de reconstrução do projeto pedagógico de um curso de Pedagogia, bem como a quem atribuem a responsabilidade pela forma como o processo transcorreu. Decorre de observação participante e toma como referência a “Teoria do discurso”, de Ernesto Laclau, dando continuidade à reflexões já publicadas em Salvino e Macedo (2016), as quais constataram que a reconstrução do referido projeto não incluíram os/as estudantes nas etapas de deliberações e decisões acerca do currículo do curso, conforme havia intentado o Núcleo Docente Estruturante (NDE), grupo responsável por coordenar o processo. Quatro dos seis docentes participantes da pesquisa, embora assumindo as perspectivas liberais de democracia (governo da maioria, democracia representativa, cidadania em temos de direitos e deveres e outros), consideram democrático um processo decisório, do qual os estudantes (maioria) não participaram. Já os/as estudantes, em sua maioria, compreendem essa participação como algo a ser autorizado, delegado, concedido por quem coordena o processo. Ocorre como se os sujeitos da democracia agissem nos termos do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Observa-se uma banalização dos sentidos de democracia e uma desvalorização da participação democrática, o que resulta numa dissonância/incongruência entre o que se diz e o se faz.


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