UTILIZAÇÃO TERAPÊUTICA DO CANABIDIOL NO TRATAMENTO DA ESQUIZOFRENIA

Kilma Gabrielle Barbosa Pimentel, Tamires Lima Silva, Fábio Rodrigo Araújo Pereira, CINTHYA MARIA PEREIRA SOUZA

Resumo


Dentre os vários compostos identificados na planta Cannabis sativa L. (maconha), destacam-se o Δ9-tetrahidrocanabinol (Δ9-THC) e o canabidiol (CBD). O Δ9-THC é o responsável pelos efeitos psicoativos, incluindo disforia, alucinações e sonolência. Quanto ao CBD, já foi observado que é capaz de antagonizar os efeitos farmacológicos do Δ9-THC, levando à hipótese de que apresentaria uma ação antipsicótica, sugerindo sua utilização no tratamento da esquizofrenia. Deste modo, o presente trabalho teve por objetivo revisar a literatura científica acerca potencial farmacológico do CBD no tratamento da esquizofrenia. Para tanto, realizou-se uma busca nas bases de dados Science Direct, PubMed e Medline, utilizando como descritores de busca: “Cannabis sativa”, “cannabidiol” e “cannabidiol and schizophrenia”. Estudos sugerem que o CBD atua principalmente no sistema endocanabinóide, por agonismo inverso nos receptores CB2, minimizando a ação dos endocanabinóides que, possivelmente, estão em altos níveis nos esquizofrênicos. A administração aguda do CBD não apresentou toxicidade significativa em animais e em humanos e sua administração crônica por um mês não demonstrou nenhuma anormalidade neurológica, psicológica ou clínica em voluntários sadios. Entretanto, os mecanismos pelos quais o CBD apresenta efeitos antipsicóticos ainda precisam ser bem elucidados.


Palavras-chave


Cannabis sativa. Canabidiol. Esquizofrenia. Receptores canabinóides.

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