CHAMADAS PARA SUBMISSÃO: TRILHAS CALLADIANAS: HOMENAGEM AO CENTENÁRIO DE ANTONIO CALLADO

 

“Ainda que pudesse ou sentisse a possibilidade de fazer uma obra literária inteiramente abstrata, jamais conseguiria contra minha natureza: preciso sempre exprimir alguma coisa”. Essa declaração de Antonio Callado em entrevista a Revista Veja (14/07/1976) marca enfaticamente suas características: um escritor que fez parte de uma literatura engajada – a “geração da repressão”, como menciona Antônio Cândido; ou simplesmente, a “geração da representação”, como afirma Lígia Chiappini – na árdua tarefa de salvar a literatura do esquecimento; e ainda, abrir possibilidades para uma ética de subversão e de liberdade de expressão. Como romancista, ao intentar revoluções, reativa utopias; ao criar cenários literários, recriar o próprio imaginário social. É persistindo em determinados arquétipos que ele vaga em intrigantes e inusitados campos simbólicos. É também inventando personagens, que ele reinventa deuses e o próprio homem. Trata-se de um imaginário revolucionário ficcionalizado, utópico, messiânico, apocalíptico que não se preserva imune à “vivicidade” do mito, pois se encontra no terreno das potências oníricas do imaginário social, político, antropológico e das religiosidades. Se na estética o autor é influenciado pela literatura joyciana e proustiana, em suas tramas há um aglomerado de temáticas variadas, desde a religião, a política, as problemáticas sociais até as temáticas mais crucias e íntimas da vida humana. Além disso, como jornalista, esboça uma espécie de simbiose entre literatura e jornalismo e entre suas viagens e a própria literatura, dotando suas reportagens de um afinado conhecimento da cultura de um país em transformação. Nesse sentido, a Sociopoética se abre às contribuições das mais diferentes áreas de conhecimento – literatura, jornalismo, história, comunicação etc., tendo como corpus de pesquisa: romances, teatros, crônicas, reportagens, filmes, entre outros – sob os mais distintos primas teóricos. Esse dossiê busca discussões plurais, tão quanto são as Trilhas Calladianas: um universo literário multifacetado que em nada se assemelha ao aparente trocadilho: trilhas “silenciosas”, “omissas”, “afônicas”, “mudas”; do contrário, um campo prolífero e polêmico – capaz de extrair a denúncia, a crítica, o depoimento e a ação –, sem deixar de preservar a memória histórico-cultural do Brasil da segunda metade do século XX.

 

Os artigos devem ser enviados através do sistema da Revista Sociopoética – http://revista.uepb.edu.br/index.php/sociopoetica – e devem seguir as Diretrizes para Autores que se encontram no website do periódico.

Prazo para submissões: Prazo estendido: 01 de agosto de 2017.

Organizadores: Luciano Barbosa Justino e Geam Karlo Gomes