Sangria, de Maria do Céu, e Carnívoras, de Adriana Varejão: imagens do feminino na canção popular e nas artes visuais

Autores

  • Ellen Mariany da Silva Dias Universidade Estadual de Londrina

Palavras-chave:

canção popular, artes visuais, feminino

Resumo

Resumo: A partir da análise da canção Sangria (2016), da cantora e compositora Maria do Céu, abre-se um diálogo possível entre a música popular brasileira e as artes visuais, considerando-se a sequência de painéis em óleo sobre gesso, intitulada Carnívoras (2008 e 2012), da artista plástica Adriana Varejão. Enquanto a música de Céu contempla a melancolia do sujeito lírico marcada pela transição do corpo da menina para o da mulher, em Varejão, são representadas plantas carnívoras, cujo formato remete aos órgãos sexuais/reprodutivos femininos em plena maturidade, problematizando os padrões de feminino e de feminilidade estipulados pela sociedade. Nesse sentido, valendo-nos de um posicionamento dialógico (BAKHTIN, 2008), propomos a investigação dos mecanismos de produção de sentidos mobilizados por recursos linguísticos, sonoros e plástico-visuais que, comparativamente, na música e na pintura, promovem reflexões sobre o universo feminino e suas particularidades.

Abstract: From the analysis of the song Sangria (2016), by the singer and songwriter Maria do Céu, it opens a possible dialogue between a Brazilian popular song and the visual arts, considering a sequence of oil panels on plaster titled Carnívoras (2008; 2012), by the visual artist Adriana Varejão. While Céu’s song takes the lyrical subject’s melancholy featured by the transition of the girl’s body into a woman’s body, in the Varejão’s painting are represented carnivorous plants whose forms remind the feminine sexual or reproductive organs in their adulthood, which interrogates patterns about femininity established by society. Thus, from the notion of dialogic position (BAKHTIN, 2008), I propose an analysis of mechanisms of production of meaning through linguistic, acoustic, plastic and visual resources which, comparatively, in the song as in the painting, promote reflections about the feminine universe and its particularities.

Resumen: A partir del análisis de la canción Sangria (2016) de la cantautora Maria do Céu, se abre un diálogo posible entre la canción popular brasileña y las artes visuales considerándose la secuencia de tablas sobre yeso titulada Carnívoras (2008; 2012) de la artista plástica Adriana Varejão. Mientras que la canción de Céu toma la melancolía del sujeto lírico marcada por la transición del cuerpo de la niña en mujer, en Varejão se representan plantas carnívoras cuyo formato remite a los órganos sexuales/reproductivos femeninos en plena madurez, lo cual interroga los patrones de lo femenino y la femineidad establecidos en la sociedad. Desde una mira dialógica (BAKHTIN, 2008) proponemos la investigación de los instrumentos de producción de sentido movilizados a través de recursos lingüísticos, sonoros, plásticos y visuales que comparativamente, en la canción y en la pintura promueven reflexiones sobre el universo femenino y sus particularidades.

Biografia do Autor

Ellen Mariany da Silva Dias , Universidade Estadual de Londrina

Doutora em Teoria da Literatura e Literatura Brasileira. Professora do Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Referências

BAKHTIN, Mikhail Mikhailovich. M. Problemas da poética de Dostoiévski. Trad. P. Bezerra. Rio de Janeiro: Forenze-Universitária, 2008.

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Publicado

2021-01-22

Como Citar

da Silva Dias , E. M. . (2021). Sangria, de Maria do Céu, e Carnívoras, de Adriana Varejão: imagens do feminino na canção popular e nas artes visuais. SOCIOPOÉTICA, 2(22), 54–63. Recuperado de https://revista.uepb.edu.br/SOCIOPOETICA/article/view/309

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Seção

Artigos