A MORTE COMO DIÁLOGO:

ENTRE KIERKEGAARD E DOSTOIÉVSKI

Autores

Palavras-chave:

Morte. Kierkegaard. Dostoiévski. Karamazov. Cristianismo.

Resumo

Fiódor Dostoiévski, proeminente romancista da literatura russa, sempre foi muito marcado pela complexidade dos termos e das formas com as quais seus enredos se desenvolviam, indicando, em boa parte deles, uma necessidade de escavação e de estruturação de uma análise das individualidades e da natureza de cada um dos seus personagens, tanto que durante muito tempo, alguns críticos o liam como um autor de filosofia, o que, todavia, não acontece. Reconhecendo as naturais diferentes que sua obra tem do texto, pretendemos, aqui, estreitar uma relação clara e direta do texto literário com o texto filosófico, rompendo os limites de subordinação e/ou inferioridade entre as áreas, o que possibilita uma amplo diálogo entre obras e conceitos distintos. Para isso, tomarei como ponto de partida a obra de Soren Kierkegaard, utilizando-a como uma chave hermenêutica de leitura do texto literário no dissecar do conceito de morte, tanto mediante a análise que Kierkegaard faz dele, partindo das pressupostos da narrativa cristã, quanto, também, das distintas reverberações encontradas no texto de Dostoiévski, especificamente, em seu derradeiro livro, Os Irmãos Karamazov, indicando as proximidades e diálogos que dois autores de obras tão vastam podem possibilitar.

Biografia do Autor

Pedro João da Silva Bisneto, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil

Possuo graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2018) e mestrado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2021). Atualmente sou Doutorando em Filosofia pela UFRN, na linha de metafísica. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: Kierkegaard, Dostoievski, Teorias Decoloniais e Denise Ferreira da Silva.

 

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Publicado

2024-06-26

Como Citar

Bisneto, P. J. da S. (2024). A MORTE COMO DIÁLOGO:: ENTRE KIERKEGAARD E DOSTOIÉVSKI. REVISTA INSTANTE, 6(2), 192–221. Recuperado de https://revista.uepb.edu.br/revistainstante/article/view/3329

Edição

Seção

Artigos