NÃO-CONCEITUALISMO E PERCEPÇÃO:

ALGUMAS CONSEQUÊNCIAS EPISTÊMICAS

Autores

Palavras-chave:

Conteúdo perceptual. Não-conceitualismo. Conceitualismo. Conteúdo-cenário. Externismo.

Resumo

Nesse artigo, pretendemos analisar as consequências epistemológicas da abordagem não-conceitualista de conteúdo perceptual. Num primeiro momento, mencionaremos os principais argumentos favoráveis à tese não-conceitualista: o argumento do aprendizado conceitual; o argumento da percepção em infantes e animais não-humanos; o argumento da riqueza da experiência. Em seguida, o modelo de conteúdo-cenário é apresentado como uma proposta de conteúdo representacional da percepção. O próximo passo é discutir as objeções conceitualistas, em especial o mito do dado. Por fim, levantaremos a hipótese de que a melhor forma de compreender o papel epistêmico da percepção, em um modelo não-conceitualista, é distinguindo formas internas e externas de fundamentação epistêmica, que denominamos de justificação e legitimação, respectivamente. Uma das principais consequência do não-conceitualismo é rejeitar posições excessivamente intelectualistas de fundamentação epistêmica.

Biografia do Autor

Vinícius Francisco Apolinário, Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil

Doutorando em Filosofia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Pesquisa na área de filosofia da mente e das emoções, com ênfase nas abordagens corporificadas da cognição, em especial o enativismo sensório-motor.

Referências

ANDREWS, K. 2015. The animal mind: an introduction to the philosophy of animal cognition. New York: Routledge.

BERMÚDEZ, J. 2003. Nonconceptual content: from perceptual experience to subpersonal computational states. Em: GUNTHER, Y. (ed.). Essays on nonconceptual content. Cambridge MA: The MIT Press, p. 183-215.

BERMÚDEZ, José Luis. The distinction between conceptual and nonconceptual content. Em: MCLAUGHLIN, Brian; BECKERMANN, Ansgar; WALTER, Sven (ed.). The oxford handbook of philosophy of mind. Oxford: Oxford University Press, 2009.

BOUNJOR, L. 1985. The structure of empirical knowledge. Cambridge: Harvard University Press.

BREWER, B. 1999. Perception and reason. Oxford: Oxford University Press.

BURGE, T. 2003. Perceptual entitlement. Philosophy and Phenomenological Research, v. 67, n. 3, p. 503–548. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1933-1592.2003.tb00307.x.

CARVALHO, E. Em defesa da justificação perceptiva: desmistificando o mito do dado. 2007. Belo Horizonte, MG. Tese de Doutorado. Universidade Federal de Minas Gerais.

CHAPANIS, A; OVERBEY, C. 1971. Absolute judgments of colors using natural color names. Perception & Psychophysics, v. 9, n. 4, p. 356–360. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.3758/BF03208695.

GERKEN, M. Epistemic entitlement: its scope and limits. 2020b. Em: GRAHAM, P; PEDERSEN, N (ed.). Epistemic entitlement. Oxford: Oxford University Press, p. 151-176.

GOLDMAN, Alvin. 1979. What is justified belief? Em: PAPPAS, G (ed.). Justification and knowledge: new studies in epistemology. London: Reidel Publishing Company, p. 1-25.

GRAHAM, P. 2020. What is epistemic entitlement? Reliable competence, reasons, inference, access. Em: KELP, C; GRECO, J (ed.). Virtue theoretic epistemology: new methods and approaches. Cambridge: Cambridge University Press, p. 93-123.

HECK, R. 2000. Nonconceptual content and the space of reasons. The Philosophical Review, v. 109, p. 483-523. Disponível em: https://doi.org/10.2307/2693622.

KELLY, S. 2001. Demonstrative concepts and experience. Philosophical Review, v. 110, n. 3, p. 397–420. Disponível em: https://doi.org/10.2307/2693650.

MCDOWELL, J. Mente e mundo. 2005. Trad.: João V. G. Cuter. Aparecida: Ideias & Letras.

PEACOCKE, C. A study of concepts. 1999. 2. ed. Massachusetts: MIT Press.

PEACOCKE, C. Does perception have a nonconceptual content? 2001a. The Journal of Philosophy, v. 98, n. 5, p. 239–264. Disponível em: https://doi.org/10.2307/2678383.

PEACOCKE, C. Phenomenology and nonconceptual content. 2001b. Philosophy and Phenomenological Research, v. 62, n. 3, p. 609–615. Disponível em: https://doi.org/10.2307/2653539.

PEACOCKE, C. Sense and content: experience, thought, and their relations. 1983. Oxford: Claredon Press.

PEACOCKE, C. Scenarios, concepts, and perception. 2003. Em: GUNTHER, Y (ed.). Essays on nonconceptual content. Cambridge MA: The MIT Press, p. 107-132.

SCHELLENBERG, S. A trilemma about mental content. 2013. Em: SCHEAR, J. (ed.). Mind, reason, and being in-the-world: the McDowell-Dreyfus debate. Abingdon: Routledge, p. 272-282.

SCHMIDT, Eva. 2015. Modest Nonconceptualism: epistemology, phenomenology, and content. Switzerland: Springer International Publishing.

SELLARS, W. 2008. Empirismo e filosofia da mente. Tradução de Sofia Inês Albornoz Stein. Petrópolis, RJ: Vozes.

SILINS, N. 2012. Explaining Perceptual Entitlement. Erkenntnis, v. 76, n. 2, p. 243–261. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/41417614.

TORIBIO, J. Nonconceptual content. Philosophy Compass, v. 2, n. 3, p. 445–460. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1747-9991.2007.00075.x.

Publicado

2024-06-26

Como Citar

Apolinário, V. F. (2024). NÃO-CONCEITUALISMO E PERCEPÇÃO:: ALGUMAS CONSEQUÊNCIAS EPISTÊMICAS. REVISTA INSTANTE, 6(2), 47–71. Recuperado de https://revista.uepb.edu.br/revistainstante/article/view/3199

Edição

Seção

Artigos