Marcas linguístico-discursivas de patriarcalismo em Helena, de Machado de Assis: um estudo dialógico

Autores

Palavras-chave:

Literatura. Machado de Assis. Helena. Patriarcalismo. Estudo dialógico.

Resumo

Em uma sociedade influenciada pelo conservadorismo econômico, pela capitalização dos bens e pelo patriarcalismo, torna-se imprescindível recorrer à literatura, mais especificamente do século XIX, para verificar que marcas constitutivas dessa época permanecem visíveis no cronotopo das obras. Assim, de forma crítica, torna-se possível identificar os papeis socialmente atribuídos nos romances e averiguar de que maneira aqueles se expressam. O objetivo desta pesquisa consiste em analisar, dialogicamente, que marcas de patriarcalismo se presentificam, de forma refletida e refratada, na obra Helena, de Machado de Assis. Para tanto, recorremos aos pressupostos teórico-metodológicos de Bakhtin (2006 [1979]), Medviédev (2016 [1928]) e Volóchinov (2017 [1929]), integrantes do Círculo de Bakhtin, bem como de Chaves (1988), Fischer (2008) e Schwarz (2012).  Os resultados apontaram para o fato de que o patriarcalismo é um elemento constituinte da narrativa, que retrata discursos arbitrariamente impostos, no constatar de diferenças entre as funções relegadas às mulheres e aos homens.

Biografia do Autor

Ana Carolina Martins da Silva, Universidade Estadual do Rio Grande do Sul

Doutora em Letras, pelo Programa de Doutorado em Letras - Associação Ampla UCS - UniRitter, campus UniRitter FAPA - Porto Alegre/RS - 2019. Tem experiência na área de Comunicação (Teoria da Comunicação; praticas leitoras para crianças, jovens e adultos; literatura infanto-juvenil; poesia; ecologia; resgate de memória e literatura regional e dos movimentos sociais; Mídia, comunicação e métodos participativos; Comunicação Organizacional, Mídia e Gestão Pública); Teatro de bonecos;Letramento Acadêmico; Ensino superior; na UERGS, Atua na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul.

Wilder Kleber Fernandes de Santana, Universidade Federal da Paraíba

Doutor em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba. Membro do grupo de pesquisa em Linguagem, Enunciação e Interação (GPLEI/UFPB/CNPQ). Membro do grupo de pesquisa em Linguagens, Tecnologias e Políticas Públicas (GPLTTP/UERGS/CNPQ). Email: wildersantana92@gmail.com

Weslei Chaleghi de Melo, Universidade Estadual de Londrina

Doutorando em Letras: Estudos Literários (UEL), Mestre em Ensino de Ciências Humanas, Sociais e da Natureza (UTFPR), Especialista em Educação Métodos e Técnicas de Ensino - com ênfase em Linguagens. (UTFPR). Possui graduação em Pedagogia pelo Centro de Ensino Superior de Maringá (2017); Letras - Português (UEL). Atualmente é Coordenador Pedagógico vinculado à Secretaria Municipal de educação de Prado Ferreira. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Literatura e Cinema.

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Publicado

08.08.2022

Como Citar

Martins da Silva, A. C., Fernandes de Santana, W. K., & Chaleghi de Melo, W. (2022). Marcas linguístico-discursivas de patriarcalismo em Helena, de Machado de Assis: um estudo dialógico. DISCURSIVIDADES, 11(2), e1122206. Recuperado de https://revista.uepb.edu.br/REDISC/article/view/1023